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Saber brincar na caverna e descobrir-se

25-11-2010 10:16

 Alguns falam que viver é ter conhecimento, descobrir as realidades mutáveis ao longo dos anos. Outros persistem na idéia de que nunca se chega ao pleno conhecimento e preferem relaxar. Certa vez, o filósofo René Descartes afirmou que depois de ter terminado os seus estudos, ele deparou-se embaraçado de dúvidas e erros. Para ele, o único proveito de toda essa dedicação e instrução foi o de ter descoberto a sua ignorância.

Com o passar do tempo, as inovações tecnológicas ganharam novos formatos e a ignorância, aos poucos, foi constituindo nova cara. Muitos se acomodaram e preferiram sentar-se. Passaram somente a copiar e colar os dados que a internet dispõe. A preguiça de pensar tornou-se mera companheira. É como se essa atitude fosse somente o reflexo do que é normal.  

Sabe-se que com a internet, muitas mudanças surgiram. Passou a ser uma liberdade horizontal. Hoje, ela faz as pessoas não sair e não desgrudar da tela, criando certa dependência. Na história da humanidade, nunca se teve a possibilidade de carregar uma biblioteca gigante na mão. É só apertar uns botões aqui e ali, e se tem acesso a livros, vídeos, textos, música. Ao mesmo tempo em que ela aproxima as pessoas, é capaz de gerar uma nova relação, um diálogo aberto e um debate muito maior.

Tem-se acesso à uma infinidade de conteúdos. É tanta informação que, realmente, cada uma das coisas não é passada com tanta profundidade. Talvez, seja esse o motivo da informação ser, muitas vezes, tão rasa e efêmera. Vêem-se tantas rasuras! Então, cabe a cada um, se reeducar e se aprofundar no que realmente interessa. É preciso cobrar-se e dar atenção ao movimento.

Há quem acha que na internet nada se cria, tudo se copia. Wilson Mizner, dramaturgo estadunidense, ao abordar o plágio, afirmou: “Quando se rouba de um autor, chama-se plágio; quando se rouba de muitos, chama-se pesquisa”. Percebe-se que é freqüente ver diversos estudantes fazendo incessantes buscas no Google, com o objetivo de cumprir um trabalho escolar ou acadêmico. Eles optam pela rapidez e pela rasa consistência que a internet oferece, e não se submetem em debruçar nos livros.

Observa-se que homens e mulheres já foram criados para cumprir o tempo que se segue. Dentre eles, uns retomam às suas tarefas com tanta rapidez, que acabam se esquecendo de aprofundar mais nos seus conceitos e preferem submeter-se à mesmice imposta. Porém, há aqueles que não têm preguiça de sugar da sociedade dos livros, as suas incertezas, curiosidades e ignorâncias.

Portanto, depara-se com uma sociedade mista. Onde há, de um lado, o abuso de mediocridade, e do outro, a sede diferenciada de conhecimento. Pode-se comparar todo esse assunto destacado com O Mito da Caverna, de Platão. Basta imaginar uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados em uma caverna. No entanto, suas pernas e seus pescoços estão algemados, de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar. Mera semelhança com os dias atuais? Não mesmo!

 Eles permanecem a olhar apenas para frente, não podem girar a cabeça nem para trás e nem para os lados. Só com um feixe de luz exterior que penetra é que se pode, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior. Platão, através das suas metáforas, revelou os papeis, de marionetes cegas e prisioneiros alienados, que o homem desenvolve.

Que aconteceria se alguém libertasse os prisioneiros atuais? Para o filósofo, por mais que tenha sido dolorido pelos anos de imobilidade, eles começariam a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria. Num primeiro momento, ficariam completamente cegos, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e eles ficariam inteiramente ofuscados por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, prosseguiriam no caminho, enxergariam as próprias coisas.

É preciso descobrir que, durante toda a vida, não se viu somente as sombras de imagens. Não basta estar liberto e conhecedor do mundo. Há a necessidade de regressar à caverna, ficar desnorteado pela escuridão, contar aos outros o que foi visto e tentar libertá-los! Muitos podem até zombar e não acreditar no que se falou.

É necessário que se entenda o ritmo, dá onde flui. Vale citar as palavras do escritor alemão, Hermann Hesse, na sua obra O Lobo da Estepe, quando fala: "O apego desesperado ao próprio eu, a desesperada ânsia de viver, são os caminhos mais seguros para a morte eterna. É preciso saber morrer, rasgar o véu do mistério. Ir procurando eternamente mutações em si conduz à imortalidade.".

 

 Por: Bárbara Fragoso

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